Reflexão da Semana

"Tens de explorar todo o teu universo interno e resgatar tudo o que rejeitaste. Só na presença da totalidade do teu ser podes apreciar a tua magnificência, e desfrutar da tua inteireza e da singularidade da tua vida."
Debbie Ford

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O caminho místico



Para muitas pessoas, o Reiki não é considerado como uma alternativa agradável de desenvolvimento pessoal por ser muito místico. Aparentemente, o caminho místico é pertença exclusiva de membros de ordens monásticas e das religiões vigentes.

Compreendo que a religião é responsável por grande parte do sofrimento, da dor e da ignorância que a população mundial tem de suportar. É responsável por guerras, devastação e morte, e ficou impune, aos olhos da justiça humana, de milhares e milhares de crimes que cometeu. Sou a primeira a afastar-me da religião, e acho justificável que uma grande parte das pessoas educadas, cultas e modernas não queira estar ligada à religião.

Contudo, nestas tomadas de consciência históricas, há sempre a tendência de se passar de um extremo a outro, na tentativa de encontrar um equilíbrio. É perigoso estar em qualquer um dos extremos pois estes têm sempre uma visão distorcida do que os rodeia e uma vontade de eliminar aquilo que julgam pernicioso, acabando por cometer enormes injustiças. A sua visão do mundo torna-se demasiado simplista, cortando a direito em princípios e valores que devem manter-se intactos e ser reverenciados para o bem maior da humanidade.

E neste caso, há que fazer uma distinção importante entre religião e espiritualidade. Essa distinção é aquilo que nos permitirá deitar fora a água sem deitar fora o menino.

A religião é uma forma de interpretar o mundo baseada nos conceitos da Tribo, que não pretende a evolução individual dos seus membros, e por isso limitadora, nem pretende uma grande evolução dos seus próprios códigos internos, e por isso criadora de dogmas. Embora aceite algo de transcendente à visão material  do mundo, acaba por  se tornar ela própria num grupo de pessoas demasiado focadas na forma e não no conteúdo.

A espiritualidade, por seu turno, é uma forma de interpretar o mundo dependente do indivíduo. Observa o mundo partindo do princípio que há algo de transcendente ao mesmo, mas sempre através da subjectividade do indivíduo, do valores de vida que o guiam, das crenças em que se baseia e da sua própria liberdade.

Uma compreensão das duas e utilização do melhor de cada uma seria, talvez, a opção mais adequada. A religião, com as suas regras tribais profundamente moralistas e limitadores, que excluem todo aquele que se atreve a questionar, já não se adapta ao ser humano de hoje. Contudo, os princípios que estão na base de qualquer uma das grandes religiões, são intemporais, e todos convergem para a Regra de Ouro (Faz aos outros o que gostaria que te fizessem a ti). Sobre esses princípios foram elaboradas muitas outras regras menores, normalmente para agradar os interesses de grupos, e muito apegadas à moral da época em que foram implementados. Todas essas regras menores são entraves ao crescimento do ser humano, porque não se baseiam na Lei do Amor.
A espiritualidade, porque dependente do indivíduo, torna-se muito mais libertadora, muito mais tolerante, e muito mais flexível, o que permite a cada um desenvolver-se de acordo com aquilo que, em cada altura, constituí o seu interesse. No entanto, esta ausência de parâmetros pode ter como consequência uma distorção de princípios, um individualismo exagerado e uma actuação que se afasta da Lei do Amor, pois passa a ser governada pelo Ego humano, com tudo o que este tem de egocêntrico.

Quando o individuo compreende que a sua evolução exige a dedicação a um caminho de desenvolvimento pessoal baseado em regras intemporais cujos padrões são sempre os do Amor, da Paz e do Serviço, seja qual for o seu contexto religioso, então esse indivíduo entende também que encontrou um caminho espiritual. Esse caminho irá abrir a sua consciência e fazê-lo crescer, todos os dias. Esse caminho é um caminho que percorrerá durante toda a sua vida, pois o ser humano é sempre um ser duplo: humano/animal/biológico versus alma/espírito/divino. Esse caminho é um caminho místico. Seja qual for o caminho que o indivíduo tome, ele será sempre pautado pela devoção a Deus (energia transcendente que sustenta e dirige o Universo na sua totalidade e da qual todos fazemos parte), pela aspiração a alcançar um estado de Ser de total paz interior e alegria e pela constante transformação pessoal, aceitando que como ser humano é um ser com falhas.

Esse indivíduo despertou então para a sua dimensão não-humana – divina – e entregou-lhe as rédeas da sua vida. Todas as escolhas que fará, doravante, terão com base os padrões do espírito e a vontade da alma, e não os desejos do ego. Estes últimos estarão sempre lá, e fá-lo-ão sempre cair em tentação, mas não serão mais os donos das suas acções, nem os pilares da sua mente, muito menos governarão as suas escolhas. É esta a diferença.

Este é um caminho místico, percorrido por todos os grandes mestres e todos os grandes iniciados da História da Humanidade. E todos nós, mais tarde ou mais cedo, o iremos percorrer. É um caminho duro, porque verdadeiro. É um caminho simples e despojado. É o estar no mundo, e não ser do mundo.

E nesse sentido, o Reiki é, de facto, um caminho místico. E por isso mesmo, é um caminho de grande beleza, simplicidade e verdade. E, acima de tudo, é um caminho de cura. Porque nos liberta das grilhetas do ego e do mundo, e nos transforma, cura-nos e ergue-nos a outras alturas.

Proposta Mindfulness

Sabemos que o coração não é apenas um órgão que bombeia sangue; na verdade, estudos recentes demonstram que o coração tem o seu próprio cérebro, com células neuronais, que pensam, sentem e respondem. As suas inspirações são sábias e a sua capacidade de fazer brotar o Novo é total...

Durante o dia de hoje,
quando tenhas dúvida em relação a uma decisão que tens de tomar, põe a mão no teu peito e convoca a inteligência do coração. Sintoniza-te com ele e escuta a sua mensagem.


Para sentir...

“O que é que buscamos? É o cumprimento, a realização do que é potencial em cada um de nós.

Ir em busca disso não é uma viagem do ego; é uma aventura para manifestar a tua dádiva ao mundo; que é seres tu própria.

Não há nada que possas fazer que seja mais importante do que essa realização.

Tornas-te um símbolo, um sinal, transparente à transcendência; desta forma irás encontrar, viver e tornares-te uma manifestação do teu próprio mito pessoal.”

Joseph Campbell, “Pathways to Bliss”

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