"Esta é uma experiência essencial de qualquer realização mística. Tu morres para a tua carne e nasces para o teu espírito. Identificas-te com a consciência e a vida das quais o teu corpo é somente o veículo. Morres para o veículo e passas a identificar-te, em consciência, com aquilo do qual o veículo é apenas o transporte. Isso é o Deus... Por trás de todas essas manifestações está a luz única, que brilha através de todas as coisas."
Joseph Campbell (em "Joseph Campbell and the Power of Myth with Bill Moyers")
O caminho dos místicos é este caminho em que nos viramos para dentro, mergulhamos profundamente em nós e, no silêncio interior, partimos à descoberta da Verdade. Eventualmente, em cada respiração, em cada movimento e na quietude, encontramos o Sagrado. É-nos revelado em nós. Verdadeiramente, acabamos por reconhecer que o Sagrado permeia tudo e todos, e é quem somos na realidade. O nosso foco de identificação altera-se do exterior - a personagem, os papéis que desempenhamos, os títulos, os bens, o passado, o futuro, as crenças, as ideologias - para o interior. Do veículo, passamos ao que o conduz. E é então que percebemos o que é a liberdade, e que a liberdade é quem somos. Percebemos o que é o amor... E o amor é quem somos.
E percebemos que a liberdade, o amor, o sagrado, são também a única outra coisa que existe, que permeia tudo e todos. E que, verdadeiramente, tudo e todos são quem somos: um único Ser.
Reflexão da Semana
"Tens de explorar todo o teu universo interno e resgatar tudo o que rejeitaste. Só na presença da totalidade do teu ser podes apreciar a tua magnificência, e desfrutar da tua inteireza e da singularidade da tua vida."
Debbie Ford
quarta-feira, 22 de julho de 2015
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Arquétipos e Jornada do Herói
“As cerimónias tribais de nascimento,
iniciação, casamento, enterro, investidura e por aí em diante, servem para
traduzir as crises de vida e os feitos de vida de cada indivíduo para formas
impessoais clássicas. Elas revelam-no a ele mesmo, não como esta ou aquela
personalidade, mas como o guerreiro, a noiva, a viúva, o padre, o chefe; ao
mesmo tempo, ensaiando para o resto da comunidade a velha lição dos palcos
arquetípicos.” Joseph Campbell, O Herói das Mil Faces
O papel dos rituais nas nossas vidas é de
imensa importância. Não por questões de tradição ou de aparência social, mas
pelo que influi no nosso inconsciente e no conhecimento de nós mesmos. Estes
arquétipos estão sempre presentes ao longo da nossa existência, acessíveis a
cada um de nós consoante o guião que a Vida nos vai propondo. Umas vezes
desempenhamos um papel, outras desempenhamos outro. São apenas vestes que
usamos, mas aos olhos da comunidade, eles confundem-se com a nossa identidade,
e assim formatados, nós próprios nos julgamos pelas roupagens que usamos.
No entanto, quando a nossa voz interior
desperta, e nos iniciamos na Jornada do Herói, em nós despertam as perguntas e
as dúvidas sobre quem somos. É aqui que saímos da tribo em busca de nós,
exilando-nos e dando o primeiro passo nessa Jornada. Damo-nos conta de que as
vestes, os papéis, são tão somente isso. E buscamos a Verdade, buscamos a nossa
essência, o ser profundo que sentimos ser.
Estas são as grandes crises da vida, aquelas
que nos obrigam a mergulhar fundo em nós, lutando contra monstros e demónios, em
busca do Graal, o cálice sagrado, o que detém a resposta final. E, tal como nos
diz Campbell, quando nos desidentificamos dessas roupagens, nunca mais as
poderemos levar tão a sério, nunca mais seremos os mesmos. É aqui que chegamos à
gruta onde está o cálice, e aqui chegados, entramos também nessa etapa de renúncia
das ilusões do mundo – maya – rejeição dos condicionamentos de uma vida, da
prisão em que vivíamos.
Mas há agora que fazer o trajecto de volta,
levando aos outros a Verdade recém-reconhecida. E nesse caminho, outras
batalhas e outros dragões nos esperam, até ao portal final: a integração.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Em pleno verão, a vida convida a celebrar, a descansar e a exteriorizar. Aparecem mais oportunidades de estar com amigos e família, de desfrutar da Natureza e de descontrair, seja em férias, seja em fins-de-semana. O tempo aquece, a praia apetece, a vida torna-se mais fácil, e talvez por tudo isto, a maior parte de nós gosta do verão.
Tradicionalmente, também é uma época em que salas de meditação ou eventos mais instrospectivos são relegados para segundo plano. Por isso, a sala de meditação que funciona no espaço Kensho ficará encerrada até 14 de Setembro, reabrindo a partir dessa data, com a habitual Meditação Transpessoal em rede, às terças-feiras, às 20h00.
Entretanto, o convite para meditar e levar uma atitude meditativa às nossas vidas, mantém-se. Seja com a sentada formal, seja com a atenção plena enfocada em certas actividades ou tarefas do dia-a-dia, do que realmente se trata é de cultivar essa ligação com o momento presente, tal como ele se apresenta. Observar, sem esforço, o que há em nós, o que se apresenta à nossa volta. Entregar-se à acção sem esforço, relaxando nessa mesma actividade, sem tentar aperfeiçoà-la ou transforma-la de qualquer maneira. A partir daí, começará a surgir em nós a consciência dessa Testemunha silenciosa que somos. Facilmente voltaremos a ela, uma e outra vez, se mantivermos o mesmo olhar de principiante, a mesma ausência de expectativas que vem da simples entrega ao momento, com total consciência.
A partir daqui, a nossa relação com a prática da meditação transformar-se-á, a nossa relação connosco mesmos e com os outros transformar-se-á e a nossa relação com a vida e com o mundo também.
Assim, como diz o velho provérbio Zen, "deverias sentar-te em meditação durante 20 minutos, todos os dias; a não ser que estejas demasiado ocupado... nesse caso, deverias sentar-te por uma hora."
Tradicionalmente, também é uma época em que salas de meditação ou eventos mais instrospectivos são relegados para segundo plano. Por isso, a sala de meditação que funciona no espaço Kensho ficará encerrada até 14 de Setembro, reabrindo a partir dessa data, com a habitual Meditação Transpessoal em rede, às terças-feiras, às 20h00.
Entretanto, o convite para meditar e levar uma atitude meditativa às nossas vidas, mantém-se. Seja com a sentada formal, seja com a atenção plena enfocada em certas actividades ou tarefas do dia-a-dia, do que realmente se trata é de cultivar essa ligação com o momento presente, tal como ele se apresenta. Observar, sem esforço, o que há em nós, o que se apresenta à nossa volta. Entregar-se à acção sem esforço, relaxando nessa mesma actividade, sem tentar aperfeiçoà-la ou transforma-la de qualquer maneira. A partir daí, começará a surgir em nós a consciência dessa Testemunha silenciosa que somos. Facilmente voltaremos a ela, uma e outra vez, se mantivermos o mesmo olhar de principiante, a mesma ausência de expectativas que vem da simples entrega ao momento, com total consciência.
A partir daqui, a nossa relação com a prática da meditação transformar-se-á, a nossa relação connosco mesmos e com os outros transformar-se-á e a nossa relação com a vida e com o mundo também.
Assim, como diz o velho provérbio Zen, "deverias sentar-te em meditação durante 20 minutos, todos os dias; a não ser que estejas demasiado ocupado... nesse caso, deverias sentar-te por uma hora."
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Proposta Mindfulness
Sabemos que o coração não é apenas um órgão que bombeia sangue; na verdade, estudos recentes demonstram que o coração tem o seu próprio cérebro, com células neuronais, que pensam, sentem e respondem. As suas inspirações são sábias e a sua capacidade de fazer brotar o Novo é total...
Durante o dia de hoje,
quando tenhas dúvida em relação a uma decisão que tens de tomar, põe a mão no teu peito e convoca a inteligência do coração. Sintoniza-te com ele e escuta a sua mensagem.
Para sentir...
“O que é que buscamos? É o cumprimento, a realização do que é potencial em cada um de nós.
Ir em busca disso não é uma viagem do ego; é uma aventura para manifestar a tua dádiva ao mundo; que é seres tu própria.
Não há nada que possas fazer que seja mais importante do que essa realização.
Tornas-te um símbolo, um sinal, transparente à transcendência; desta forma irás encontrar, viver e tornares-te uma manifestação do teu próprio mito pessoal.”
Joseph Campbell, “Pathways to Bliss”