Reflexão da Semana

"Tens de explorar todo o teu universo interno e resgatar tudo o que rejeitaste. Só na presença da totalidade do teu ser podes apreciar a tua magnificência, e desfrutar da tua inteireza e da singularidade da tua vida."
Debbie Ford

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Religião

"E um velho sacerdote disse:
- Fala-nos da Religião.
E ele respondeu:
- Porventura tenho eu falado de outra coisa?
Porventura não é religião tudo o que se faz
e tudo o que se pensa?
E tudo aquilo que não é acto, nem reflexão,
mas um espanto e uma surpresa
sempre renovada na alma,
até quando as mãos talham a pedra
ou armam o tear?
Quem é capaz de separar a fé
dos seus actos,
ou a sua crença das ocupações?
Quem é capaz de estender as horas diante de si, dizendo:
- Isto para Deus, isto para mim,
isto para a alma, isto para o corpo?
Todas as vossas horas são asas
que batem através do espaço
de um eu a outro eu.
Aquele que não traz a sua moralidade
senão como o menor vestido,
era bem melhor que estivesse nu.
O vento e o sol não farão buracos na sua pele.
E aquele que regula o seu proceder pela ética,
mete o pássaro-cantor numa gaiola.
O canto mais liberto não passará através das grades e do arame.
E aquele para quem a adoração é uma janela
que se pode abrir e fechar,
não visitou ainda a casa da sua alma,
que tem janelas abertas de uma aurora a outra aurora.
A vida de todos os dias é o vosso templo e a vossa religião.
Ao entrardes nele, levai convosco todo o vosso ser.
Levai a charrua e a forja, o maço e o alaúde.
As coisas que modelaste por necessidade ou por gosto.
Porque em sonho não podeis erguer-vos
acima daquilo que levaste a bom termo,
nem cair mais baixo do que os vossos fracassos.
E tomai convosco todos os homens.
Porque em adoração não podeis voar mais alto
que as suas esperanças,
nem descer mais baixo
do que o seu desespero.
E se quereis conhecer a Deus,
não vos preocupeis em resolver enigmas.
Olhai antes à vossa volta
E vê-lO-eis brincando com os vossos filhos.
Olhai para o espaço e percebê-lO-eis
caminhando nas nuvens,
estendendo os braços no relâmpago e descendo na chuva.
Vê-lO-eis sorrindo nas flores,
depois levantar-se e agitar as mãos nas árvores."
Khalil Gibran, "O Profeta"

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Aceitar o que é

Neste final "definitivo" de férias, marcado pelo regresso às aulas de milhares de crianças e pelo retorno a uma rotina outonal, é difícil largar os dias compridos de verão, a tradicional agitação sonora da praia, com as suas ondas a rebentar, os gritos das crianças que brincam, os pregões costumeiros dos vendedores ambulantes, a preguiça dos dias sem horários, nem regras, nem compromissos inadiáveis. É difícil regressar ao trabalho, tantas vezes odiado e desempenhado apenas pela necessária consequência financeira.
Começa a crescer dentro do peito, aquela irritação que vai subindo de tom até se transformar numa raiva surda; aquele mal-estar que nos dá um lampejo de depressão, só de antecipar os percursos de ida e volta cheios de trânsito, as caras mal-humoradas dos colegas ou dos chefes, os "deveres", os "porque tem de ser" e todas as outras grilhetas que prendem as nossas Almas.

No entanto, se mergulharmos fundo nesses sentimentos e os observarmos... Se nos deixarmos ficar de fora, a ver toda a gama de emoções que vai passando pelo nosso coração e pela nossa mente... Os pensamentos que geramos, as preocupações que vamos criando, testemunhadas sem qualquer juízo, sem zangas nem "parece impossível", sem culpas nem ansiedades... Vamos acabar por descobrir que essa aceitação do nosso estado de espírito - revoltado, zangado, vitimizado - é o primeiro passo no processo de Aceitação do Que É. Logo que nos entregamos à observação, com um rigor quase científico que se quer isento e desapegado, nasce em nós uma subtil sensação de alívio, de libertação, que vai crescendo, aos poucos, e que sem darmos conta, se transforma em total aceitação.

Então, mais tarde, apoiados na persistência e na prática da Observação, sentimo-nos livres. A guerra interior que nos corroía vai calando as suas armas, e começamos a ver surgir bandeiras brancas de rendição. Estamos prontos a Aceitar. Aceitamos o que É, tal como se nos apresenta. Depois, vem a tarefa de descobrir o que desejamos e como o alcançar...

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

"A Inteligência da Alma"
Realizou-se este Sábado o lançamento do livro "A Inteligência da Alma", de José Maria Doria, fundador da Escola Espanhola de Desenvolvimento Transpessoal e presidente da Fundação para a Educação e Desenvolvimento Transpessoal.
É um livro especial, em que se faz uma colecção de 144 frases de inúmeros autores de todo o mundo, de Simone de Beauvoir a Ghandi, de Séneca a Nisargadatta, de Kafka a Ken Wilber. Para cada uma dessas frases, JM Doria faz uma reflexão afinada e profunda, que nos convida a ir de encontro ao nosso ser íntimo, à essência que, em nós, ressoa com essa sabedoria.
Lanço-vos o desafio de adquirir o livro e usá-lo diariamente, tal como o autor sugere: escolhendo um número entre 1 e 144, ao acaso, e lendo o que o Universo nos relembra.
Para abrir o apetite, no espaço de Reflexão da Semana do blog, deixo-vos algumas das palavras iniciais de José Maria Doria a este seu trabalho.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SAGRADO
Cada momento é sagrado, quando vivemos a partir da nossa essência. Viver a partir da nossa essência não é algo fácil para nós, porque é algo que deixámos de fazer há muito e, como tal, é-nos estranho. Krishnamurti dizia para insistirmos na nossa essência, uma e outra vez, como forma de criar uma ligação directa entre a nossa essência - o Ser - e a personalidade. A prática constante, a repetição, é a forma através da qual os humanos aprendem, e se por vezes isso nos parece maçador e rotineiro, não temos outro caminho se não praticar essa ligação se queremos trazer para a nossa consciência a sacralidade de cada momento e a nossa própria sacralidade. Uma e outra vez, sentemo-nos em silêncio e observação. Adoptemos a postura adequada, respiremos e mantenhamo-nos numa observação desapegada do momento, em silêncio. Isto é "zazen". E se parece pouco, é a costumeira ilusão a que a mente nos sujeita, já que é um hábito poderoso. Hoje é um dia tão bom como qualquer outro para começar. Hoje é um dia tão bom como qualquer outro para continuar e persistir. Sem julgamentos, sem críticas, sem medos, sem expectativas. Só no momento presente. Com confiança.

Proposta Mindfulness

Sabemos que o coração não é apenas um órgão que bombeia sangue; na verdade, estudos recentes demonstram que o coração tem o seu próprio cérebro, com células neuronais, que pensam, sentem e respondem. As suas inspirações são sábias e a sua capacidade de fazer brotar o Novo é total...

Durante o dia de hoje,
quando tenhas dúvida em relação a uma decisão que tens de tomar, põe a mão no teu peito e convoca a inteligência do coração. Sintoniza-te com ele e escuta a sua mensagem.


Para sentir...

“O que é que buscamos? É o cumprimento, a realização do que é potencial em cada um de nós.

Ir em busca disso não é uma viagem do ego; é uma aventura para manifestar a tua dádiva ao mundo; que é seres tu própria.

Não há nada que possas fazer que seja mais importante do que essa realização.

Tornas-te um símbolo, um sinal, transparente à transcendência; desta forma irás encontrar, viver e tornares-te uma manifestação do teu próprio mito pessoal.”

Joseph Campbell, “Pathways to Bliss”

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