Reflexão da Semana

"Tens de explorar todo o teu universo interno e resgatar tudo o que rejeitaste. Só na presença da totalidade do teu ser podes apreciar a tua magnificência, e desfrutar da tua inteireza e da singularidade da tua vida."
Debbie Ford

segunda-feira, 27 de junho de 2016

"O teu vazio interior esconde igual plenitude, basta apenas que lhe permitas preencher-te." C.Jung

Dentro de mim, dentro de cada um de nós, existe uma multiplicidade de coisas. Uma vastidão de pensamentos, sensações, emoções, medos, inseguranças, vozes e afins, que mais se assemelha a um enorme sotão cheio de 'bric-a-brac'. Quando surge um momento de paragem, um silêncio, uma ausência de distracção - seja ela trabalho ou lazer - logo em mim, logo em nós, um alarme interno nos  coloca em alerta. Se pararmos, se silenciarmos, pode ser que se abra a porta desse sotão e que tudo o que lá está escorregue para dentro de nós como se fosse uma enorme cornucópia de abundância a vazar os seus dons. Só que esta abundância, não a encaramos como dom, e sim como um monte de lixo que seria melhor estar escondido, não vá ele relembrar-nos o que não queremos.
Mas quando permitimos que esse silêncio se faça, que essa paragem aconteça; quando nos dispomos a permanecer nessa enxorrada de velharias que fomos acumulando, a torrente inicial começa a abrandar e, a pouco e pouco, vamos encontrando espaço.
Um espaço onde podemos apenas estar. Um vazio que se vai instalando, subtilmente, em cada imagem, em cada paragem. Até pode ser que nos comecemos a sentir 'bem', a sentir um certo conforto. Ou talvez não. Talvez surja um medo de, afinal, estar no meio do nada, de ser nada... Quem sabe?

terça-feira, 24 de maio de 2016

A voz da criança



Nem sempre fomos ouvidos, em crianças. 
Nem sempre as nossas emoções tiveram espaço para se manifestarem: porque não eram adequadas ou “certas”, de acordo com os adultos que nos rodeavam.

E agora, quando certas situações nos fazem reviver essas emoções, o padrão activa-se e voltamos a reagir, normalmente com alguma infantilidade emocional. 

É a nossa criança que fala, é ela que precisa ser vista, de ser ouvida; são as suas necessidades que querem mostrar-se.

Sentir no corpo a emoção que se manifesta e acolhê-la, é o primeiro passo do adulto que somos. Depois, compete a esse adulto escutar essa voz infantil, perceber o que é que lhe faz falta, assegurar-lhe de que está aqui para a nutrir, e que a vê. 
A criança estará sempre ferida em nós. O nosso adulto interior, esse é quem terá de a acompanhar, de a conter, e de agir no exterior. 
Quando todo este trabalho interior se processa, muito drama exterior é evitado. 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Presença

À medida que as tragédias mundiais aparentemente se aproximam das nossas portas - do Médio Oriente para a Europa - o medo activa-se no coração da maior parte de nós. Faz-nos crer que, afinal, não estamos assim tão seguros e confortáveis, tão protegidos e acima daquilo que já há muito tempo assola outros territórios e outros povos. E claro, enquanto a miséria é dos outros, como diz o ditado, com essa podemos nós bem. Mas nesta nova era está a manifestar-se a afirmação "Somos Todos Um". Na verdade, cada vez mais aquilo que afecta alguns afinal, afecta a todos. Por muito que gostássemos, não podemos fugir para lado nenhum. E os problemas parece que se amontoam a cada dia que passa, o que nos faz sentir, provavelmente, cada vez mais assoberbados e assustados.

A verdade, parece-me a mim, é que não há soluções fáceis, instantâneas e definitivas. Estamos a lidar com problemas complexos e o nosso nível de consciência não permite que se adoptem, com tanta facilidade, medidas de Talião. O que podemos fazer?

Parece que muito pouco ou quase nada... Ou talvez não. Acredito que podemos começar por nos silenciarmos. Silenciarmos as vozes do exterior, durante alguns minutos. E silenciarmos as nossas próprias vozes. Não porque as obrigamos a estar caladas, mas sim porque as deixamos falar, observando-as. E, desde aí, colocamos questões. Questões para ficarem em reflexão. Não temos de encontrar respostas. Não temos de fazer descobertas ou chegar a revelações. Questionamos, tão somente.

E permanecemos. Permanecemos com essas questões, com essas dúvidas, com essas vozes que vão voltar a erguer-se, mostrando-nos o seu medo. Permanecemos com os sentimentos confusos e violentos que surgirem. Não fugimos nem os rejeitamos.
À medida que insistirmos nessa presença, vamos perceber como a maior parte de toda essa agitação interior se vai aquietando.
E vamos percebendo como também nós nos estamos a observar desde um outro nível. Um nível diferente do que aquele em que habitualmente vivemos. Um nível que sente mais paz, mais equanimidade e mais confiança.

Pode ser que surjam respostas. Até pode ser que tenhamos revelações altamente transformadoras. Mas, mais do que tudo, surgirá um outro espaço onde poderemos ser. E, ao insistir em visitar esse espaço diariamente, frequentemente, a todo o momento, estaremos a viver num nível do Ser que poderá resolver muitos dos problemas que o mundo enfrenta hoje: mudámos o nível de consciência e acedemos a uma fonte de Criatividade transcendente.

Não é difícil. Não tem custos. Não implica deslocações, confusões ou entropia na nossa vida. Requer o nosso compromisso. O compromisso com o
Ser, com o Amor e com aquilo que dizemos querer para o mundo e para as novas gerações. Qualquer um de nós o pode fazer. E depois, o que se seguirá, é vivê-lo momento a momento, a partir desse espaço.

"Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo nível de consciência que o criou." Albert Einstein

Proposta Mindfulness

Sabemos que o coração não é apenas um órgão que bombeia sangue; na verdade, estudos recentes demonstram que o coração tem o seu próprio cérebro, com células neuronais, que pensam, sentem e respondem. As suas inspirações são sábias e a sua capacidade de fazer brotar o Novo é total...

Durante o dia de hoje,
quando tenhas dúvida em relação a uma decisão que tens de tomar, põe a mão no teu peito e convoca a inteligência do coração. Sintoniza-te com ele e escuta a sua mensagem.


Para sentir...

“O que é que buscamos? É o cumprimento, a realização do que é potencial em cada um de nós.

Ir em busca disso não é uma viagem do ego; é uma aventura para manifestar a tua dádiva ao mundo; que é seres tu própria.

Não há nada que possas fazer que seja mais importante do que essa realização.

Tornas-te um símbolo, um sinal, transparente à transcendência; desta forma irás encontrar, viver e tornares-te uma manifestação do teu próprio mito pessoal.”

Joseph Campbell, “Pathways to Bliss”

Pesquisar neste blogue