Reflexão da Semana

"Tens de explorar todo o teu universo interno e resgatar tudo o que rejeitaste. Só na presença da totalidade do teu ser podes apreciar a tua magnificência, e desfrutar da tua inteireza e da singularidade da tua vida."
Debbie Ford

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O silêncio é um poderoso estado de consciência. Mais do que estar calado, mais do que estar numa ausência de ruídos, o silêncio é um estado contemplativo que nos permite aceder a um campo de possibilidades infinitas, ao "lugar" onde reside a nossa Alma. Ao contrário da nossa pessoa, a nossa Alma comunica-se por experiências cheias de poder interior, de energia criadora, de imagens arquetípicas que, na maioria das vezes, são quase impossíveis de transmitir por palavras. O reino da Alma está para além das palavras. Abre-nos o coração e liga-o à mente profunda, aquela onde as águas estão límpidas e serenas. O silêncio é um estado fecundo que, quando cultivado diariamente, nos ensina a Ser. Abre-nos as Grandes Portas interiores, envolve-nos na Graça e enche-nos de Luz. No silêncio, recordamos que Deus está em nós. Tão simples, como isso.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Diz a lama Tashi Lhamo: "A meditação é para todos. Não é necessário ter uma fé ou praticar uma determinada religião para meditar. É uma técnica que melhora a capacidade de atenção e concentração, relaxa o corpo e a mente e ajuda a diminuir o stress da vida moderna. Bastam 20 minutos praticados com assiduidade para combater a tensão, desligar-se de problemas e aumentar a lucidez mental."

Sim, sem dúvida, a meditação é uma prática de uma simplicidade e, no entanto, de uma profundidade tremenda. Com ela, activamos algo de profundo em nós: a capacidade de observar, de mergulhar em nós, de Ser, na íntegra.
Somos seres humanos, mas também somos luz, e estrelas, e poeira cósmica, e potencial ilimitado. Tudo está dentro de nós, e nós somos um reflexo de tudo. Alcançar essa consciência, sentir essa vivência é transformador.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Religião

"E um velho sacerdote disse:
- Fala-nos da Religião.
E ele respondeu:
- Porventura tenho eu falado de outra coisa?
Porventura não é religião tudo o que se faz
e tudo o que se pensa?
E tudo aquilo que não é acto, nem reflexão,
mas um espanto e uma surpresa
sempre renovada na alma,
até quando as mãos talham a pedra
ou armam o tear?
Quem é capaz de separar a fé
dos seus actos,
ou a sua crença das ocupações?
Quem é capaz de estender as horas diante de si, dizendo:
- Isto para Deus, isto para mim,
isto para a alma, isto para o corpo?
Todas as vossas horas são asas
que batem através do espaço
de um eu a outro eu.
Aquele que não traz a sua moralidade
senão como o menor vestido,
era bem melhor que estivesse nu.
O vento e o sol não farão buracos na sua pele.
E aquele que regula o seu proceder pela ética,
mete o pássaro-cantor numa gaiola.
O canto mais liberto não passará através das grades e do arame.
E aquele para quem a adoração é uma janela
que se pode abrir e fechar,
não visitou ainda a casa da sua alma,
que tem janelas abertas de uma aurora a outra aurora.
A vida de todos os dias é o vosso templo e a vossa religião.
Ao entrardes nele, levai convosco todo o vosso ser.
Levai a charrua e a forja, o maço e o alaúde.
As coisas que modelaste por necessidade ou por gosto.
Porque em sonho não podeis erguer-vos
acima daquilo que levaste a bom termo,
nem cair mais baixo do que os vossos fracassos.
E tomai convosco todos os homens.
Porque em adoração não podeis voar mais alto
que as suas esperanças,
nem descer mais baixo
do que o seu desespero.
E se quereis conhecer a Deus,
não vos preocupeis em resolver enigmas.
Olhai antes à vossa volta
E vê-lO-eis brincando com os vossos filhos.
Olhai para o espaço e percebê-lO-eis
caminhando nas nuvens,
estendendo os braços no relâmpago e descendo na chuva.
Vê-lO-eis sorrindo nas flores,
depois levantar-se e agitar as mãos nas árvores."
Khalil Gibran, "O Profeta"

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Aceitar o que é

Neste final "definitivo" de férias, marcado pelo regresso às aulas de milhares de crianças e pelo retorno a uma rotina outonal, é difícil largar os dias compridos de verão, a tradicional agitação sonora da praia, com as suas ondas a rebentar, os gritos das crianças que brincam, os pregões costumeiros dos vendedores ambulantes, a preguiça dos dias sem horários, nem regras, nem compromissos inadiáveis. É difícil regressar ao trabalho, tantas vezes odiado e desempenhado apenas pela necessária consequência financeira.
Começa a crescer dentro do peito, aquela irritação que vai subindo de tom até se transformar numa raiva surda; aquele mal-estar que nos dá um lampejo de depressão, só de antecipar os percursos de ida e volta cheios de trânsito, as caras mal-humoradas dos colegas ou dos chefes, os "deveres", os "porque tem de ser" e todas as outras grilhetas que prendem as nossas Almas.

No entanto, se mergulharmos fundo nesses sentimentos e os observarmos... Se nos deixarmos ficar de fora, a ver toda a gama de emoções que vai passando pelo nosso coração e pela nossa mente... Os pensamentos que geramos, as preocupações que vamos criando, testemunhadas sem qualquer juízo, sem zangas nem "parece impossível", sem culpas nem ansiedades... Vamos acabar por descobrir que essa aceitação do nosso estado de espírito - revoltado, zangado, vitimizado - é o primeiro passo no processo de Aceitação do Que É. Logo que nos entregamos à observação, com um rigor quase científico que se quer isento e desapegado, nasce em nós uma subtil sensação de alívio, de libertação, que vai crescendo, aos poucos, e que sem darmos conta, se transforma em total aceitação.

Então, mais tarde, apoiados na persistência e na prática da Observação, sentimo-nos livres. A guerra interior que nos corroía vai calando as suas armas, e começamos a ver surgir bandeiras brancas de rendição. Estamos prontos a Aceitar. Aceitamos o que É, tal como se nos apresenta. Depois, vem a tarefa de descobrir o que desejamos e como o alcançar...

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

"A Inteligência da Alma"
Realizou-se este Sábado o lançamento do livro "A Inteligência da Alma", de José Maria Doria, fundador da Escola Espanhola de Desenvolvimento Transpessoal e presidente da Fundação para a Educação e Desenvolvimento Transpessoal.
É um livro especial, em que se faz uma colecção de 144 frases de inúmeros autores de todo o mundo, de Simone de Beauvoir a Ghandi, de Séneca a Nisargadatta, de Kafka a Ken Wilber. Para cada uma dessas frases, JM Doria faz uma reflexão afinada e profunda, que nos convida a ir de encontro ao nosso ser íntimo, à essência que, em nós, ressoa com essa sabedoria.
Lanço-vos o desafio de adquirir o livro e usá-lo diariamente, tal como o autor sugere: escolhendo um número entre 1 e 144, ao acaso, e lendo o que o Universo nos relembra.
Para abrir o apetite, no espaço de Reflexão da Semana do blog, deixo-vos algumas das palavras iniciais de José Maria Doria a este seu trabalho.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SAGRADO
Cada momento é sagrado, quando vivemos a partir da nossa essência. Viver a partir da nossa essência não é algo fácil para nós, porque é algo que deixámos de fazer há muito e, como tal, é-nos estranho. Krishnamurti dizia para insistirmos na nossa essência, uma e outra vez, como forma de criar uma ligação directa entre a nossa essência - o Ser - e a personalidade. A prática constante, a repetição, é a forma através da qual os humanos aprendem, e se por vezes isso nos parece maçador e rotineiro, não temos outro caminho se não praticar essa ligação se queremos trazer para a nossa consciência a sacralidade de cada momento e a nossa própria sacralidade. Uma e outra vez, sentemo-nos em silêncio e observação. Adoptemos a postura adequada, respiremos e mantenhamo-nos numa observação desapegada do momento, em silêncio. Isto é "zazen". E se parece pouco, é a costumeira ilusão a que a mente nos sujeita, já que é um hábito poderoso. Hoje é um dia tão bom como qualquer outro para começar. Hoje é um dia tão bom como qualquer outro para continuar e persistir. Sem julgamentos, sem críticas, sem medos, sem expectativas. Só no momento presente. Com confiança.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Inspirar e expirar. Respirar.
Tomar consciência do corpo.
Tomar consciência da respiração.
Observar.
Escutar.
Pode parecer tão pouco, mas é tanto.
Observando, escutando, mantendo a consciência centrada no Agora. Sem objectivos. Sem julgamentos. Sem críticas.
Abrimos espaço para aquilo que há de mais puro e mais elevado em nós venha ao de cima, aflore à consciência e nos inspire.
Em cada inspiração, há um enorme potencial de inspiração. A cada expiração, uma transformação subtil e profunda.
Neste compasso ritmado, em sintonia com o ritmo do próprio Universo, reside a chave maior para a nossa felicidade.
Há que ter a coragem de começar a semear o hábito de Ser. Para que possamos colher o destino maior do Ser.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Acordar e sentir a luz do sol a entrar pelo quarto. Saber que se está vivo, que se tem uma nova oportunidade de recomeçar, de corrigir erros, de voltar a tentar, de voltar a experimentar, a sentir, a viver... Todas as manhãs o Universo dá-nos essa possibilidade. E quase todas as manhãs a tomamos por certa, como um direito adquirido que nos assiste, que estará lá amanhã, e depois, e depois, sem nunca acabar.
Na verdade, sabemos dentro de nós que não temos começo nem fim, que a nossa essência continua e permanece, que está para lá de tudo aquilo que podemos tocar ou ver. Por outro lado, perdemos a consciência de que, ao contrário da nossa essência, a nossa vivência física não é infinita. Aquilo que consideramos real - porque somos capazes de tocar, de ver, de cheirar, de fazer passar pelos nossos cinco sentidos - segue a lei da impermanência, e está em constante mudança. Tudo passa. Nada se mantém igual. Saber aceitar essas mudanças e acompanhá-las é não só difícil como, tantas vezes, muito doloroso.
Teresa D'Ávila, a grande mística, dizia que na vida não podia estar dependente de nada que fosse transitório. E na Terapia Transpessoal recordamos muitas vezes a frase final de um conto que nos diz que não podemos investir em nada que nos pudesse ser tirado num naufrágio.
Parece-me que é muito importante viver com a noção de que não temos nada de definitivo nas nossas vidas, que não temos nada certo nem direitos adquiridos. Essa noção transforma-nos e mantém-nos humildes perante a Vida.
Mas também acredito que há algo que se mantém, que nos acompanha e jamais morre: a nossa essência, chamem-lhe Alma, Espírito, o que quiserem. Somos imortais, intemporais, eternos. E essa consciência permite-nos focarmo-nos naquilo que é verdadeiro, libertando-nos das ilusões. Mantém-nos elevados perante um mundo tantas vezes mesquinho e pequeno.
Por isso, há que cheirar as flores, sentir a chuva, apreciar o sol, olhar fundo nos olhos dos outros, escutar as suas palavras desde o nosso centro, sorrir, calar, partilhar, comunicar, viver cada momento plenamente, atentamente, com um coração aberto - exultante ou ferido - e puro, com o entusiasmo dos artistas e a inocência das crianças. Viver hoje. Agora.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Vivência Espiritual

Uma vivência da vida numa atitude espiritual implica uma prática espiritual activa.
Por prática espiritual activa, quero dizer um conjunto de acções, palavras, atitudes e estados de ser, manifestados a cada dia, a cada hora, a cada momento do Agora, que estejam alinhados com a Essência do nosso Ser, o nosso Eu mais profundo.
Isto pode querer dizer que seguimos práticas já estabelecidas por alguma doutrina filosófica ou por alguma religião ou movimento espiritual, com as quais nos sentimos bem. E se assim for, devemos manter ou seguir esse nosso caminho.

Contudo, muitos de nós, encontram-se algo perdidos neste campo. O que fazer? Como fazer? Que práticas são essas? Antes de mais, temos de estabelecer um contacto com o nosso Mestre Interior, o nosso Eu Profundo. Só essa parte de nós sabe o que nos convém mais, qual é o nosso caminho. Mas quem é o nosso Mestre Interior? Como contactá-lo? Por certo, não tem um blog, ou um perfil de Facebook ou até um contacto telefónico...! Não. Mas está em nós, permanentemente. E a forma de o encontrar, começa por fazer silêncio e escutar.

Fazer silêncio e escutar. Tão simples e tão difícil como isto.
Um lugar tranquilo, uns minutos por dia, a vontade de estabelecer esta rotina de interiorização, é quanto basta. Eu sei que parece muito, que há sempre muitas distracções, muitas actividades ou tarefas a levar a cabo, e que estar em silêncio, em quietude - exterior e interior - nos é frequentemente desconfortável. Mas é imprescindível.
A voz interior da nossa Sabedoria não grita, não faz grandes encenações e teatros, não pretende sobrepor-se e competir pela nossa atenção ao lado de tudo o resto com que o mundo exterior nos bombardeia. A voz do nosso Mestre Interior é suave, um sussurro subtil, que requere a nossa total atenção, em silêncio. Por isso, ao princípio, até sermos Mestres nessa comunicação com o Divino em nós, não há atalhos, nem pílulas milagrosas, nem "show-off" possível: há que ter vontade e estabelecer o compromisso de criar um espaço e um tempo dedicado apenas ao silêncio, à imobilização, à quietude interior e à escuta sem expectativas. Este é o primeiro passo, o mais importante, e o que se manterá ao longo da nossa vida, na nossa prática espiritual activa. Dele, derivarão todos os outros passos, todas as outras atitudes, toda a energia que de nós emanará.
Depois, esse silêncio irá prolongar-se para outros momentos do nosso dia. Invadirá a nossa mente, de tempos a tempos, ajudando-nos a mantermo-nos concentrados no presente, excluindo os barulhos do mundo, a pouco e pouco, abrindo os nossos olhos para a miríade de ilusões e enganos que nos cercam. O silêncio interior transformar-se-á, aos poucos, em silêncio exterior, dando-nos um prazer e uma paz insuspeitados.
Estes hábitos, cultivados com empenho e dedicação, com consciência, sem culpas nem expectativas, farão toda a diferença entre uma vida sem rumo e uma vida de propósito, uma vida consciente, em Presença. Por isso, incentivo-vos a começarem hoje, agora, a estabelecerem esse compromisso convosco mesmos. Saibam que o farão por vós, ao início, mas que o impacto que terá expandir-se-á muito para além de vós. E então, observarão a vossa vida a mudar, de dentro para fora, e compreenderão como é possível que cada um de nós mude o mundo, com um contributo que pode ser pequeno, mas que será também inestimável.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Energia Positiva

"A energia positiva vem do respeito pela Terra e por todas as suas criaturas, de uma profunda capacidade de tolerância, bem como do desejo apaixonado de alcançar uma civilização pacífica. Estas coisas são tão importantes para a nossa subsistência como a comida ou o oxigénio."
Dr.ª Judith Orloff, Energia Positiva, Editora Pergaminho

Ao começar um novo ano, costumamos fazer listas com as mudanças que desejamos implementar no novo ciclo que agora se inicia. Normalmente, quando chegamos a meio do ano - talvez até antes disso - muitas dessas resoluções ficaram pelo caminho, perdidas na engrenagem dos dias e sustentadas apenas numa boa-vontade, mas sem ferramentas para as aplicar e levar a cabo. No entanto, é possível inverter a situação, e conseguir realizar as mudanças que desejamos. Antes de mais, é preciso vontade. Não apenas "boa-vontade", mas força de vontade. Persistência. A capacidade de perseverar, não desistir e seguir no caminho que traçamos, com a consciência de que, ao início, tudo à nossa volta se conjugará para nos desviar da rota. Esta é a primeira que coisa que temos de desenvolver em nós, e que hoje em dia parece muito esquecida na nossa cultura de conforto e facilidade. Sim, mesmo em tempos de crise, vivemos num mundo onde é fácil aceder a coisas simples e básicas, com um simples gesto. Já pensou que para si basta abrir um manipulo ou rodar uma maçaneta para um jorro de água limpa correr da torneira, ao passo que para a grande maioria das pessoas pelo resto do mundo é necessário caminhar por vezes quilómetros para acartar com um pequeno balde de água? São todos estes gestos que damos por certos, que achamos serem nossos por direito e pensamos estarem garantidos para todo o sempre. Ainda bem que a civilização consegue proporcionar este conforto a muitas pessoas. Contudo, há que ter em mente que são isso mesmo: confortos e facilidades. E com essa ideia em mente, cultivar a força de vontade de seguir aquilo que desejamos para nós, seja um corpo mais saudável, seja a paz interior ou a vocação que nos chama de dentro. Seja como for, há que manter uma atitude positiva, e gerar energia positiva à nossa volta. Antes de tudo, abra a sua mente e estimule a sua vontade.

Proposta Mindfulness

Sabemos que o coração não é apenas um órgão que bombeia sangue; na verdade, estudos recentes demonstram que o coração tem o seu próprio cérebro, com células neuronais, que pensam, sentem e respondem. As suas inspirações são sábias e a sua capacidade de fazer brotar o Novo é total...

Durante o dia de hoje,
quando tenhas dúvida em relação a uma decisão que tens de tomar, põe a mão no teu peito e convoca a inteligência do coração. Sintoniza-te com ele e escuta a sua mensagem.


Para sentir...

“O que é que buscamos? É o cumprimento, a realização do que é potencial em cada um de nós.

Ir em busca disso não é uma viagem do ego; é uma aventura para manifestar a tua dádiva ao mundo; que é seres tu própria.

Não há nada que possas fazer que seja mais importante do que essa realização.

Tornas-te um símbolo, um sinal, transparente à transcendência; desta forma irás encontrar, viver e tornares-te uma manifestação do teu próprio mito pessoal.”

Joseph Campbell, “Pathways to Bliss”

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