Acordar e sentir a luz do sol a entrar pelo quarto. Saber que se está vivo, que se tem uma nova oportunidade de recomeçar, de corrigir erros, de voltar a tentar, de voltar a experimentar, a sentir, a viver... Todas as manhãs o Universo dá-nos essa possibilidade. E quase todas as manhãs a tomamos por certa, como um direito adquirido que nos assiste, que estará lá amanhã, e depois, e depois, sem nunca acabar.
Na verdade, sabemos dentro de nós que não temos começo nem fim, que a nossa essência continua e permanece, que está para lá de tudo aquilo que podemos tocar ou ver. Por outro lado, perdemos a consciência de que, ao contrário da nossa essência, a nossa vivência física não é infinita. Aquilo que consideramos real - porque somos capazes de tocar, de ver, de cheirar, de fazer passar pelos nossos cinco sentidos - segue a lei da impermanência, e está em constante mudança. Tudo passa. Nada se mantém igual. Saber aceitar essas mudanças e acompanhá-las é não só difícil como, tantas vezes, muito doloroso.
Teresa D'Ávila, a grande mística, dizia que na vida não podia estar dependente de nada que fosse transitório. E na Terapia Transpessoal recordamos muitas vezes a frase final de um conto que nos diz que não podemos investir em nada que nos pudesse ser tirado num naufrágio.
Parece-me que é muito importante viver com a noção de que não temos nada de definitivo nas nossas vidas, que não temos nada certo nem direitos adquiridos. Essa noção transforma-nos e mantém-nos humildes perante a Vida.
Mas também acredito que há algo que se mantém, que nos acompanha e jamais morre: a nossa essência, chamem-lhe Alma, Espírito, o que quiserem. Somos imortais, intemporais, eternos. E essa consciência permite-nos focarmo-nos naquilo que é verdadeiro, libertando-nos das ilusões. Mantém-nos elevados perante um mundo tantas vezes mesquinho e pequeno.
Por isso, há que cheirar as flores, sentir a chuva, apreciar o sol, olhar fundo nos olhos dos outros, escutar as suas palavras desde o nosso centro, sorrir, calar, partilhar, comunicar, viver cada momento plenamente, atentamente, com um coração aberto - exultante ou ferido - e puro, com o entusiasmo dos artistas e a inocência das crianças. Viver hoje. Agora.
Reflexão da Semana
"Tens de explorar todo o teu universo interno e resgatar tudo o que rejeitaste. Só na presença da totalidade do teu ser podes apreciar a tua magnificência, e desfrutar da tua inteireza e da singularidade da tua vida."
Debbie Ford
sexta-feira, 19 de abril de 2013
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Proposta Mindfulness
Sabemos que o coração não é apenas um órgão que bombeia sangue; na verdade, estudos recentes demonstram que o coração tem o seu próprio cérebro, com células neuronais, que pensam, sentem e respondem. As suas inspirações são sábias e a sua capacidade de fazer brotar o Novo é total...
Durante o dia de hoje,
quando tenhas dúvida em relação a uma decisão que tens de tomar, põe a mão no teu peito e convoca a inteligência do coração. Sintoniza-te com ele e escuta a sua mensagem.
Para sentir...
“O que é que buscamos? É o cumprimento, a realização do que é potencial em cada um de nós.
Ir em busca disso não é uma viagem do ego; é uma aventura para manifestar a tua dádiva ao mundo; que é seres tu própria.
Não há nada que possas fazer que seja mais importante do que essa realização.
Tornas-te um símbolo, um sinal, transparente à transcendência; desta forma irás encontrar, viver e tornares-te uma manifestação do teu próprio mito pessoal.”
Joseph Campbell, “Pathways to Bliss”