Antes que qualquer coisa possa ser dita, existe um espaço amplo e vazio onde ela existe, como potencialidade pura. Antes que consigamos pôr por escrito, em linguagem estruturada, aquilo que temos dentro, tudo existe em nós, nessa espaciosidade sem tempo nem lugar, onde não há ausência, mas sim tudo o que já sentimos outrora e tudo o que ainda iremos sentir.
Na verdade, a Vida é isso mesmo: um vazio prenhe de todas as formas que já existiram, que agora existem e que possam vir a existir. Vazio e forma, forma e vazio. Matéria e Espírito, Espírito e Matéria. Cada um é causa e efeito do outro, cada um se complementa e se necessita para Ser.
Também nós somos Espírito e Matéria, somos Forma e Vazio.
Acreditar em Coisa Nenhuma – essa Espaciosidade Plena de Tudo – é a base da prática Zen. Desse Tudo vem cada Coisa, e cada Coisa regressa ao Tudo, num bailado sem fim, harmonioso e cheio.
Para viver, há que bailar essa dança de contrastes e aparentes opostos. Saber viver é saber soltar e agarrar na medida certa. Experienciar todas essas formas, observando e aceitando o que surgir, e soltando cada coisa na altura certa.