Reflexão da Semana

"Tens de explorar todo o teu universo interno e resgatar tudo o que rejeitaste. Só na presença da totalidade do teu ser podes apreciar a tua magnificência, e desfrutar da tua inteireza e da singularidade da tua vida."
Debbie Ford

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Presença

À medida que as tragédias mundiais aparentemente se aproximam das nossas portas - do Médio Oriente para a Europa - o medo activa-se no coração da maior parte de nós. Faz-nos crer que, afinal, não estamos assim tão seguros e confortáveis, tão protegidos e acima daquilo que já há muito tempo assola outros territórios e outros povos. E claro, enquanto a miséria é dos outros, como diz o ditado, com essa podemos nós bem. Mas nesta nova era está a manifestar-se a afirmação "Somos Todos Um". Na verdade, cada vez mais aquilo que afecta alguns afinal, afecta a todos. Por muito que gostássemos, não podemos fugir para lado nenhum. E os problemas parece que se amontoam a cada dia que passa, o que nos faz sentir, provavelmente, cada vez mais assoberbados e assustados.

A verdade, parece-me a mim, é que não há soluções fáceis, instantâneas e definitivas. Estamos a lidar com problemas complexos e o nosso nível de consciência não permite que se adoptem, com tanta facilidade, medidas de Talião. O que podemos fazer?

Parece que muito pouco ou quase nada... Ou talvez não. Acredito que podemos começar por nos silenciarmos. Silenciarmos as vozes do exterior, durante alguns minutos. E silenciarmos as nossas próprias vozes. Não porque as obrigamos a estar caladas, mas sim porque as deixamos falar, observando-as. E, desde aí, colocamos questões. Questões para ficarem em reflexão. Não temos de encontrar respostas. Não temos de fazer descobertas ou chegar a revelações. Questionamos, tão somente.

E permanecemos. Permanecemos com essas questões, com essas dúvidas, com essas vozes que vão voltar a erguer-se, mostrando-nos o seu medo. Permanecemos com os sentimentos confusos e violentos que surgirem. Não fugimos nem os rejeitamos.
À medida que insistirmos nessa presença, vamos perceber como a maior parte de toda essa agitação interior se vai aquietando.
E vamos percebendo como também nós nos estamos a observar desde um outro nível. Um nível diferente do que aquele em que habitualmente vivemos. Um nível que sente mais paz, mais equanimidade e mais confiança.

Pode ser que surjam respostas. Até pode ser que tenhamos revelações altamente transformadoras. Mas, mais do que tudo, surgirá um outro espaço onde poderemos ser. E, ao insistir em visitar esse espaço diariamente, frequentemente, a todo o momento, estaremos a viver num nível do Ser que poderá resolver muitos dos problemas que o mundo enfrenta hoje: mudámos o nível de consciência e acedemos a uma fonte de Criatividade transcendente.

Não é difícil. Não tem custos. Não implica deslocações, confusões ou entropia na nossa vida. Requer o nosso compromisso. O compromisso com o
Ser, com o Amor e com aquilo que dizemos querer para o mundo e para as novas gerações. Qualquer um de nós o pode fazer. E depois, o que se seguirá, é vivê-lo momento a momento, a partir desse espaço.

"Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo nível de consciência que o criou." Albert Einstein

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A demanda Sagrada

"Esta vida consiste em Ser, Ser humano seja como for, com todas as suas alegrias, e com todas as suas tristezas.P'taah

Parece que é muito simples, esta questão de ser. Afinal, somos "seres" humanos todos nós deveríamos saber ser. Mas, na verdade, o que é SER? Em que consiste esse verbo de acção? E, há acção, em SER?

Ser é algo que está tão distante da visão da nossa cultura ocidental industrializada que se reflectirmos na palavra, somos muitas vezes impelidos a um propósito que carrega em si mesmo algo que fazer. O que é preciso para Ser?

É preciso estar aqui, presente no momento, sentindo cada minuto, cada respiração, cada movimento em plenitude. É preciso viver agora, sem fugir do desconforto, sem resistir ao que se nos apresenta, sem nos refugiarmos na mente. É preciso habitar o corpo, e não utilizá-lo como um apêndice da mente. É preciso não fugir do que há, do que está a acontecer.

Fomos impelidos a acreditar que a verdadeira espiritualidade estava no renegar do que este mundo nos apresentava e escapar para a imaterialidade do não-manifesto. Contudo, as grandes tradições ensinam-nos que tudo o que há, tudo o que vemos, tocamos, cheiramos, ouvimos, percebemos, é uma manifestação do SER, da VIDA, do INEFÁVEL MISTÉRIO para o qual inventámos muitos nomes, mas que não tem nome.

Todo o mundo é uma manifestação do SER, do Um: do vazio do Ser nasce a multiplicidade das formas, e o Um reconhece-se nos muitos, através da Compaixão. Esta é a essência do Feminino.
E todas essas formas são, na realidade, vazias, pois nas muitas apenas está o Um. Nesta tomada de consciência, alcançamos a Sabedoria. Esta é a essência do Masculino.

No entanto, o grande paradoxo do SER é que teve de se manifestar para se reconhecer...! Igualmente,  também o ser humano só reconhece a sua natureza divina através do mundo da matéria. Ao contrário do que certas correntes nos fizeram crer, o caminho para Deus é através do Humano, do corpo, da vivência na matéria. O segredo, é imbuir essa matéria de espírito: ligar Céu e Terra. Como fazê-lo?

Através do Coração e da sua Inteligência. Só o coração vê o essencial, o que está vivo, o que é verdadeiramente importante. Então, há que buscar o Coração. Há que buscar o Graal. Esta é a Jornada do Herói: partir em busca da Essência, da Beleza, da Verdade... E, ao alcançá-la, depois de tanta luta com os demónios interiores que o habitam, coloca-se-lhe a questão: estará disposto a partilhar com os outros aquilo que descobriu? E se disser que sim, a sua vida tem finalmente sentido, pois soube buscar-se, reconhecer-se e dar-se.


domingo, 1 de novembro de 2015

Morte e Vida, Vida e Morte

Ontem e hoje celebra-se o Samhain (pronuncia-se sô-in ou sô-an), celebração Celta de final de colheitas e de tempo para honrar os mortos, entretanto chamado Halloween e nas culturas sob a influência católica, Dia de Todos os Santos e Dia de Finados. 


Seja qual for o nome, seja sob que camada de tradição o observemos, nesta época do ano a Sabedoria Ancestral diz-nos que iniciamos mais uma etapa da descida para a escuridão, até mais à frente (no solstício de Inverno / Natal) celebrarmos o início da subida até à luz. É a época em que o véu entre o mundo manifesto (o mundo dos vivos) e o mundo não-manifesto (o mundo dos mortos) está mais fino, e a comunicação entre ambos é mais fácil. É a época de honrar os antepassados, as linhagens que vieram antes de nós e que, através da sua vida, facilitaram a nossa vida. É também a época de soltar os nossos "mortos", aquilo que já não nos serve - crenças, hábitos, rancores... - e avançar para um mergulho mais profundo. 

Esta é uma mitologia presente em muitas tradições pelo mundo fora: o ciclo de Vida/Morte/Vida.
Altamente simbólica, profundamente arquetípica, ressoa no mais fundo do Ser porque activa a nossa memória colectiva, a nossa memória celular e espiritual recordando que a seguir a um periodo de expansão (vida) segue-se um período de contração (morte). 

E porque não termina aí? Porque só existe vida, e a vida não tem fim. A vida transforma-se incessantemente: de um estado, passa a outro. Parece ter desaparecido, para passado algum tempo, se revelar em toda a sua beleza, fragilidade e esplendor. 

E se só existe vida, porque passar pela "morte"? 
"Tal como é em cima, é em baixo". E tal como no Cosmos, o nosso corpo também nos recorda que só quando passamos através dessa etapa de escuridão, de recolhimento, de descida ao abismo, à caverna mais escura, descobrimos a fonte de luz. Recuperamos esta sabedoria ancestral, genética, orgânica, de que vida e morte não são opostos, são complementares. Duas caras de uma mesma moeda. Negarmos uma, é negar a outra. 

E talvez um dos grandes segredos desta nossa experiência humana, seja esta aprendizagem de ver para além dos opostos, de viver em complementaridade. Saber viver com a dose certa de entrega e de desprendimento. Entregar-se plenamente à vida, sem medo da morte, compreendendo que ela virá, e que será só uma passagem. E entregar-se à morte, com esse amor pela vida. 

Proposta Mindfulness

Sabemos que o coração não é apenas um órgão que bombeia sangue; na verdade, estudos recentes demonstram que o coração tem o seu próprio cérebro, com células neuronais, que pensam, sentem e respondem. As suas inspirações são sábias e a sua capacidade de fazer brotar o Novo é total...

Durante o dia de hoje,
quando tenhas dúvida em relação a uma decisão que tens de tomar, põe a mão no teu peito e convoca a inteligência do coração. Sintoniza-te com ele e escuta a sua mensagem.


Para sentir...

“O que é que buscamos? É o cumprimento, a realização do que é potencial em cada um de nós.

Ir em busca disso não é uma viagem do ego; é uma aventura para manifestar a tua dádiva ao mundo; que é seres tu própria.

Não há nada que possas fazer que seja mais importante do que essa realização.

Tornas-te um símbolo, um sinal, transparente à transcendência; desta forma irás encontrar, viver e tornares-te uma manifestação do teu próprio mito pessoal.”

Joseph Campbell, “Pathways to Bliss”

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