Não me recordo dos brinquedos ou roupas ou outros presentes que recebi. Mas recordo-me dos momentos. Dos concertos de Viena que passavam na Televisão, dos desenhos animados nas manhãs das férias de Natal, dos chás com torradas passados na braseira da sala de estar... Recordo sons, cheiros, imagens, sensações... No fundo, acredito que todos nós recordamos o Natal desta forma. Acredito que a maior parte de nós recorda as emoções ligadas ao Natal, e não as "coisas" que nos esforçamos, todos os anos, por comprar e oferecer. É um sinal de que, intuitivamente, o nosso Ser sabe o que importa, o que perdura, o que realmente nos toca.
Na verdade, dentro de nós sabemos sempre o que é realmente importante. Dentro de nós existem todas as respostas para todas as perguntas que temos. Só temos de criar o tempo para estar connosco, para nos ouvirmos. Chama-se a isso "meditar". Encontrar a Presença que existe em nós, escutá-La e segui-La. Aí temos nós o nosso (único) Mestre, o nosso Guru.
E, curiosamente, foi isso que um menino nascido há mais de dois mil anos, e de quem celebramos o nascimento dentro de dias, nos veio relembrar: o Reino de Deus está dentro de Nós, e todos nós temos capacidade de O encontrar. E é essa a nossa missão colectiva na Terra. Encontrar, em Nós, o Deus que somos e manifestá-lo. Aí está, o Natal! O nascimento do Cristo em nós: o nascimento da consciência de Quem Somos.
Tal como Jesus dizia, de acordo com o Evangelho Gnóstico de Tomás: "Aquele que procura não deve parar até encontrar. Quando encontrar, ficará perturbado. Depois de ficar perturbado, ele ficará espantado. E depois, reinará sobre todas as coisas."
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