Sempre que, na nossa evolução, temos de gerir um novo impulso de poder, seja ele de origem mundana ou espiritual, somos confrontados por uma mudança e, logo, pelo Sabotador. Para nós, é tão ameaçador ser destituído de poder como ser investido de mais poder. Qualquer uma destas trocas energéticas significa mudança ao nível do ser, interior ou exteriormente.
Estamos a ser confrontados por uma era que lida, essencialmente, com a luta pelo poder. As antigas estruturas egóicas - do estado à família, das igrejas às crenças individuais de cada um - estão a enfrentar uma destruição maciça nunca antes presenciada pela História que conhecemos hoje. Como tal, as lutas de poder agudizam-se e levam-nos a ponderar se estaremos perante um novo re-nascer ou perante o estertor final do mundo.
Durante os próximos meses, de amanhã a meados de Agosto, Urano irá entrar no signo de Aquário, trazendo consigo o fogo intenso da mudança e da revolução. Oferece a cada um de nós uma tremenda força criativa que, caso a queiramos aceitar, poderá manifestar-se com a força tranquila do nascimento da Vida. Se, pelo contrário, escolhemos resistir, a mudança assumirá uma forma destrutiva e caótica.
Nesta era - à vez conturbada e esperançosa - todos, sem excepção, estamos a ser confrontados a tomar uma decisão acerca de quem somos realmente, de quem queremos ser. Qual a vida que queremos viver? De que forma queremos manifestar a nossa essência? Esta é a decisão individual de cada um de nós que separará o trigo do joio, tal como Jesus falava. Chegou a altura de crescer e de por de lado a infantilidade que tem caracterizado a Humanidade até aqui. Cada um de nós encontrará inúmeras escolhas, no seu dia-a-dia, das mais insignificantes às mais influentes, para manifestar quem diz que é, quem diz que quer ser. E nenhuma escolha é assim tão insignificante. Cada uma delas diz algo sobre nós, mostra quem somos aos outros.
Uma amiga relatava, há dias, no seu blog, a cena de um sem-abrigo que estava no supermercado a comprar cerveja. De aspecto repelente, todos se afastavam ou olhavam com pena. Depois de pagar, sorriu amavelmente e foi-se embora, para voltar logo de seguida, com uma flor que ofereceu à menina da caixa, atirando-lhe um beijinho com a mão. Na verdade, quando o Céu nos despoja de tudo o que temos, de tudo o que é exterior a nós e que achamos que constitui a nossa individualidade, passamos a estar "vazios" e prontos a Ser. Já não é importante o quanto temos, o que temos, onde vivemos, o que estudámos, quanto ganhamos ou como nos vestimos. Aquilo que era invisível aos olhos (o essencial), coberto que estava por todos os véus do mundo, passou a transbordar e a nossa essência pode emergir.
É esta a utilidade das crises, das revoltas, dos momentos de dor e tragédia porque passamos, individualmente, ou colectivamente. Infelizmente, só temos conseguido crescer, amadurecer e evoluir através da dor.
Não podemos dar-nos ao luxo de continuar a escolher este caminho, sob pena da dor ser demasiada ou de nos destruir por completo. Não podemos fazer de conta que nada se passa. Temos de ter a coragem de ouvir a nossa consciência, a nossa voz interior que nos guia e que nos tem vindo a dizer, há tanto tempo, o que é preciso que façamos.
Em cada área da nossa vida é preciso mudar: naquilo que acreditamos, naquilo com que sonhamos, nos nossos relacionamentos, naquilo em que ocupamos o nosso tempo, nas nossas profissões, nos nossos hobbies, na forma como nos relacionamos com o nosso corpo e a nossa saúde, como gastamos e investimos o nosso dinheiro, como damos o nosso voto nas eleições, na forma como praticamos a espiritualidade e nas intenções que colocamos. Tudo, absolutamente tudo, precisa de ser "peneirado" pela nossa sabedoria interior, com a mais pura intenção. E aí, quando tivermos a coragem imensa de o fazer, e a sabedoria para o levar a cabo, conseguiremos realizar-nos e avançar para cumprir o nosso propósito.
Seremos capazes?
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