Reflexão da Semana

"Tens de explorar todo o teu universo interno e resgatar tudo o que rejeitaste. Só na presença da totalidade do teu ser podes apreciar a tua magnificência, e desfrutar da tua inteireza e da singularidade da tua vida."
Debbie Ford

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mais um Natal


Estamos a aproximarmo-nos do Natal. Mais uma vez, as ruas e as casas enchem-se de luzes, de cheiros e de cores. Mais uma vez, os passos se apressam, para trás e para a frente, nas ruas e nos centros comerciais, em busca das prendas desejadas, dos ingredientes tradicionais, dos brinquedos para as crianças, de todos os desejos que andámos a guardar para esta época.
E claro que, em época de Natal, também se acentuam os contrastes entre os que nada têm e os que tudo têm.
Numa fase das nossas vidas em que somos bombardeados, desde as primeiras horas da manhã até à noite, com as notícias das tragédias e das perdas à nossa volta, torna-se difícil manter um espírito elevado e um coração alegre. Quando nos apanhamos em flagrante delito de contentamento pela visão da árvore de Natal, das decorações da rua ou até de uma das tradicionais músicas, quase que nos sentimos culpados de um qualquer pecado capital, da mesma dimensão da gula com que atacamos a mesa da Consoada ou da cobiça com que olhamos os milhares de objectos de desejo que recheiam as montras das nossas cidades.
Tenho cá para mim, há já muitos anos, que o Natal não é o consumismo desenfreado que se generalizou nas sociedades ocidentais dos anos 80 para cá. O Natal não é acerca do Ter. Por muito bem que nos saiba a todos receber prendas e comprar coisas, não é aí que está a raiz da nossa felicidade. Acredito que muitos de nós já se deram conta de que estão infelizes. Talvez atribuam essa infelicidade a muitas causas, entre elas a omnipresente “Crise”. Talvez acreditem que se ganhassem mais, se pudessem comprar mais, se concretizassem o sonho de ter aquele carro, ou aquele computador ou aquele telemóvel, seriam felizes. Talvez achem que o problema é a insegurança das suas vidas; a incerteza sobre os seus empregos, os seus salários, o seu modo de vida. Sim, e talvez tenham razão. Sem dúvida que todos estes são motivos válidos para a infelicidade.
No entanto, ainda não tinha a “Crise” estalado, e já eu via muita gente definhar aos poucos, infeliz na vida que levava, e em que ainda não questionava a sua segurança ou o seu poder de compra.
Então, porquê esta sede que não se satisfaz, este mal-estar profundo, que corre dentro de muitos de nós, e que tentamos resolver com o Ter?
As grandes crises mundiais devem ser observadas de um ponto de vista simbólico – tal como as crises das nossas vidas individuais – e devem levar-nos a questionar o que está disfuncional nas nossas existências. O que não funciona no nosso modo de vida? Será o dinheiro a raiz do mal? Então porque ansiamos tanto tê-lo? Estaremos condenados a viver agarrados a esse “mal” ou podemos ter esperança de que as coisas mudem? E o que precisamos de mudar? O que é que realmente desejamos? Que sonhos é que queremos verdadeiramente concretizar? Qual o nível de empenho com que somos capazes de nos comprometer?
Estas questões não são pormenores. Só através de uma introspecção profunda, só através de uma politica de profunda honestidade connosco próprios poderemos esperar identificar tudo aquilo que é falso na nossa vida. Quando o conseguirmos, poderemos então dar início ao processo de transformação.
Esta transformação é uma metamorfose, algo idêntico àquilo que a lagarta passa no seu casulo até se transformar em borboleta. Essa metamorfose permite-lhe renascer. E nesse renascimento está a essência do Natal: fazer emergir a nossa Essência, a nossa Luz. Ao fazê-lo, tomaremos consciência dos dons que trazemos connosco e que queremos partilhar. Não poderemos deixar de os partilhar porque essa partilha é a nossa razão, o nosso propósito maior. E então, estará cumprida a nossa missão e sentiremos a profunda realização que buscamos.
Nesta metáfora, podem encontrar todos os símbolos do Natal, e olhá-lo como símbolo maior de Vida.
Se escolherem encetar este processo, estarão de facto a iniciar a transformação da Humanidade. Estarão a contribuir, imensamente, para a elevação do nosso país e do nosso mundo. E talvez, daqui a uns anos, as futuras gerações vivam o Natal em Espírito, deliciadas com as dádivas da época, com a genuína alegria infantil face aos símbolos que hoje não compreendemos. 

Sem comentários:

Proposta Mindfulness

Sabemos que o coração não é apenas um órgão que bombeia sangue; na verdade, estudos recentes demonstram que o coração tem o seu próprio cérebro, com células neuronais, que pensam, sentem e respondem. As suas inspirações são sábias e a sua capacidade de fazer brotar o Novo é total...

Durante o dia de hoje,
quando tenhas dúvida em relação a uma decisão que tens de tomar, põe a mão no teu peito e convoca a inteligência do coração. Sintoniza-te com ele e escuta a sua mensagem.


Para sentir...

“O que é que buscamos? É o cumprimento, a realização do que é potencial em cada um de nós.

Ir em busca disso não é uma viagem do ego; é uma aventura para manifestar a tua dádiva ao mundo; que é seres tu própria.

Não há nada que possas fazer que seja mais importante do que essa realização.

Tornas-te um símbolo, um sinal, transparente à transcendência; desta forma irás encontrar, viver e tornares-te uma manifestação do teu próprio mito pessoal.”

Joseph Campbell, “Pathways to Bliss”

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