Dentro de mim, dentro de cada um de nós, existe uma multiplicidade de coisas. Uma vastidão de pensamentos, sensações, emoções, medos, inseguranças, vozes e afins, que mais se assemelha a um enorme sotão cheio de 'bric-a-brac'. Quando surge um momento de paragem, um silêncio, uma ausência de distracção - seja ela trabalho ou lazer - logo em mim, logo em nós, um alarme interno nos coloca em alerta. Se pararmos, se silenciarmos, pode ser que se abra a porta desse sotão e que tudo o que lá está escorregue para dentro de nós como se fosse uma enorme cornucópia de abundância a vazar os seus dons. Só que esta abundância, não a encaramos como dom, e sim como um monte de lixo que seria melhor estar escondido, não vá ele relembrar-nos o que não queremos.
Mas quando permitimos que esse silêncio se faça, que essa paragem aconteça; quando nos dispomos a permanecer nessa enxorrada de velharias que fomos acumulando, a torrente inicial começa a abrandar e, a pouco e pouco, vamos encontrando espaço.
Um espaço onde podemos apenas estar. Um vazio que se vai instalando, subtilmente, em cada imagem, em cada paragem. Até pode ser que nos comecemos a sentir 'bem', a sentir um certo conforto. Ou talvez não. Talvez surja um medo de, afinal, estar no meio do nada, de ser nada... Quem sabe?
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