"Crescemos numa sociedade que privilegia a retenção, o temor e as faltas, em detrimento da audácia, da alegria, e da abundância. Nós sabemos tão pouco sobre o que é a prosperidade que toda a cultura ocidental (para não dizer mundial) coloca o indivíduo face ao medo. Medo de si, medo do outro, do amanhã, etc. Passamos a vida a amontoar bens inúteis para nos tranquilizar e nos proteger de nós mesmos. Acumulando acervos e patrimónios, permitimos a esta civilização da degradação e da irresponsabilidade que cresça e nos aliene ainda mais. A sociedade mundial monopoliza actualmente a sua energia no propósito de permitir esta procura desesperada. E se bem que sejam cada vez mais numerosos os pólos de resistência que vão surgindo um pouco por toda a parte, eles ainda não conseguem travar esta expansão. A humanidade ainda não conseguiu desfazer-se de todos os velhos esquemas, dos condicionamentos, e identificações que cultivou no decorrer do seu longo caminho. Inconscientemente, ela ama a sua falta de liberdade. Desse facto, ela coloca importantes resistências a todas as transformações de consciência. Globalmente, o Homem cultiva ainda o sistema das crenças em detrimento do da Fé. Fé nele mesmo e na Vida, que é fonte de abundância. Animado por este estado de espírito, só dá atenção aos obstáculos imaginários ou reais que sente no seu caminho, às complicações que tem prazer em conceber e às contrariedades que daí decorrem. Podíamos perguntar se ele não idolatra as preocupações, o descontentamento e a falta de esperança."
Alain Brêthes, As Estratégias do Ego, Ariana Editora
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