O que é a Mulher Selvagem? Clarissa Pinkola-Estes diz que estas duas palavras - mulher e selvagem - são compreendidas, no mais fundo do seu ser, por qualquer mulher, em qualquer cultura. Na verdade, diz mais: diz que tal como a vida selvagem, a mulher também tem sido usada, abusada, devastada, roubada, queimada, explorada, afastada dos seus ciclos naturais e desinfectada para agradar aos outros. Ao mesmo tempo que a natureza selvagem e prístina do nosso planeta desaparece, também a nossa compreensão das nossas próprias naturezas interiores se vai desvanecendo. Perdemos o contacto com a nossa psique instintiva, renegamos poderes que são naturais à nossa essência feminina e afastamo-nos da nossa fonte, afastando-nos também da nossa saúde e vitalidade.
Para as recuperarmos, temos de resgatar essa natureza selvagem, pura, instintiva, que existe em nós, que permanece sempre, num ciclo eterno de vida/morte/vida.
Como diz no prefácio do seu mais conhecido livro, "Para a encontrarmos (à mulher selvagem), é necessário que as mulheres regressem às suas vidas instintivas, à sua sabedoria mais profunda. Por isso, avancemos agora, e relembremos-nos a nós mesmas essa alma selvagem. Cantemos a sua carne de volta aos nossos ossos. Deitemos fora quaisquer roupagens falsas que nos tenham sido dadas, e vistamos a verdadeira capa da sabedoria e do instinto poderosos. Infiltremos as terras psíquicas que outrora eram nossas. Desenrolemos as ligaduras e preparemos os remédios. Regressemos agora, mulheres selvagens uivando, rindo e cantando Àquela que tanto nos ama. Para nós, o problema é simples: sem nós, a Mulher Selvagem morre. Sem a Mulher Selvagem, nós morremos. Para a Vida Verdadeira, ambas têm de viver."
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