Reflexão da Semana

"Tens de explorar todo o teu universo interno e resgatar tudo o que rejeitaste. Só na presença da totalidade do teu ser podes apreciar a tua magnificência, e desfrutar da tua inteireza e da singularidade da tua vida."
Debbie Ford

domingo, 1 de novembro de 2015

Morte e Vida, Vida e Morte

Ontem e hoje celebra-se o Samhain (pronuncia-se sô-in ou sô-an), celebração Celta de final de colheitas e de tempo para honrar os mortos, entretanto chamado Halloween e nas culturas sob a influência católica, Dia de Todos os Santos e Dia de Finados. 


Seja qual for o nome, seja sob que camada de tradição o observemos, nesta época do ano a Sabedoria Ancestral diz-nos que iniciamos mais uma etapa da descida para a escuridão, até mais à frente (no solstício de Inverno / Natal) celebrarmos o início da subida até à luz. É a época em que o véu entre o mundo manifesto (o mundo dos vivos) e o mundo não-manifesto (o mundo dos mortos) está mais fino, e a comunicação entre ambos é mais fácil. É a época de honrar os antepassados, as linhagens que vieram antes de nós e que, através da sua vida, facilitaram a nossa vida. É também a época de soltar os nossos "mortos", aquilo que já não nos serve - crenças, hábitos, rancores... - e avançar para um mergulho mais profundo. 

Esta é uma mitologia presente em muitas tradições pelo mundo fora: o ciclo de Vida/Morte/Vida.
Altamente simbólica, profundamente arquetípica, ressoa no mais fundo do Ser porque activa a nossa memória colectiva, a nossa memória celular e espiritual recordando que a seguir a um periodo de expansão (vida) segue-se um período de contração (morte). 

E porque não termina aí? Porque só existe vida, e a vida não tem fim. A vida transforma-se incessantemente: de um estado, passa a outro. Parece ter desaparecido, para passado algum tempo, se revelar em toda a sua beleza, fragilidade e esplendor. 

E se só existe vida, porque passar pela "morte"? 
"Tal como é em cima, é em baixo". E tal como no Cosmos, o nosso corpo também nos recorda que só quando passamos através dessa etapa de escuridão, de recolhimento, de descida ao abismo, à caverna mais escura, descobrimos a fonte de luz. Recuperamos esta sabedoria ancestral, genética, orgânica, de que vida e morte não são opostos, são complementares. Duas caras de uma mesma moeda. Negarmos uma, é negar a outra. 

E talvez um dos grandes segredos desta nossa experiência humana, seja esta aprendizagem de ver para além dos opostos, de viver em complementaridade. Saber viver com a dose certa de entrega e de desprendimento. Entregar-se plenamente à vida, sem medo da morte, compreendendo que ela virá, e que será só uma passagem. E entregar-se à morte, com esse amor pela vida. 

Sem comentários:

Proposta Mindfulness

Sabemos que o coração não é apenas um órgão que bombeia sangue; na verdade, estudos recentes demonstram que o coração tem o seu próprio cérebro, com células neuronais, que pensam, sentem e respondem. As suas inspirações são sábias e a sua capacidade de fazer brotar o Novo é total...

Durante o dia de hoje,
quando tenhas dúvida em relação a uma decisão que tens de tomar, põe a mão no teu peito e convoca a inteligência do coração. Sintoniza-te com ele e escuta a sua mensagem.


Para sentir...

“O que é que buscamos? É o cumprimento, a realização do que é potencial em cada um de nós.

Ir em busca disso não é uma viagem do ego; é uma aventura para manifestar a tua dádiva ao mundo; que é seres tu própria.

Não há nada que possas fazer que seja mais importante do que essa realização.

Tornas-te um símbolo, um sinal, transparente à transcendência; desta forma irás encontrar, viver e tornares-te uma manifestação do teu próprio mito pessoal.”

Joseph Campbell, “Pathways to Bliss”

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