O caminhar consciente é uma actividade meditativa de grande importância, porque nos leva a um estado de consciência em que estamos plenamente presentes no momento, no nosso corpo e na acção de caminhar. Requer uma atenção plena: a forma como a perna se levanta e projecta o pé para a frente, ao modo como o calcanhar posa no chão e é seguido pelo resto da sola do pé, à sensação do solo no planta do pé, ao projectar do corpo em cada passo, à respiração - mais profunda num caminhar vagaroso, mais superficial num caminhar mais exigente - e ao que nos envolve, seja a natureza, seja a cidade. Neste exercício, esvaziamos a mente. Tomamos consciência. Damo-nos conta.
Para além do caminhar, fica o entrar em nós mesmos. O reconhecermo-nos, o acompanharmo-nos, ao mesmo tempo que comungamos com o que nos envolve, num movimento contínuo de entrega e unidade. Caminhar para re-encontrar, para re-cordar, para re-ligar. A meditação aprende-se meditando, o caminho faz-se caminhando, a Vida faz-se vivendo, com entrega e com coragem.
Diz Paulo Coelho, em Maktub: "Diz o mestre: Muita gente tem medo da felicidade. Para essas pessoas, esta palavra significa mudar uma série de hábitos - e perder a sua própria identidade. Muitas vezes julgamo-nos indignos das coisas boas que acontecem connosco. Não aceitamos, porque aceitá-las dá-nos a sensação de que ficamos a dever alguma coisa a Deus. Pensamos: "É melhor não provar o cálice da alegria, porque quando este nos faltar, iremos sofrer muito." Por medo de diminuir, deixamos de crescer. Por medo de chorar, deixamos de rir."
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