Reflexão da Semana

"Tens de explorar todo o teu universo interno e resgatar tudo o que rejeitaste. Só na presença da totalidade do teu ser podes apreciar a tua magnificência, e desfrutar da tua inteireza e da singularidade da tua vida."
Debbie Ford

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Sombra

Há dias em que, sem estar à espera, repentinamente, uma nuvem escura a envolve... O coração estremece, endurece, dói... A emoção quer brotar, as palavras tornam-se duras e afiadas, os pensamentos bombardeiam-na com os cenários mais escuros, com os diálogos mais ríspidos. Perde o equilíbrio e cai na Sombra.
Surge a inevitável pergunta: porquê? “Porquê a mim? Porque sinto isto? Porque acontece aquilo?” Infindáveis perguntas, busca impossível por uma resposta lógica e racional para algo que a transcende.
Sente a injustiça da vida, das situações, da forma como se sente tratada, das palavras que lhe dizem, dos insultos que lhe lançam, velados ou explícitos. Surge a ideia de traição. Traição que brota de uma confiança que se perdeu, que foi quebrada. “Não é justo.” Não é justo ter de sofrer, ser rejeitada quando se entregou, ser ferida quando o único que fez foi dar o seu coração. Não é justo sentir-se assim. Não é justo o abandono que imagina, não é justo o ressentimento que a invade, não é justa a vergonha de que se apercebe ao ver o monstro da Sombra devorar-lhe o coração com o manto pesado do ciúme.
Cai-se num abismo negro, onde as lágrimas são o alivio mais rápido, e o isolamento o único desejo que tem. Só quer entrar na sua toca e aí ficar, lambendo a ferida, esperando que passe. E passará?
Ou voltará novamente, mais forte, com mais poder, ferindo mais fundo ainda?
Lá dentro, no fundo do coração que bate ainda, dorido e encolhido, uma luz estremece e diz-lhe que se não olhar para o que está por trás dessa ferida, escondido na Sombra, não poderá seguir em frente. E enfrentará, uma e outra vez, mais ataques, mais dores, mais sofrimento.
Algo que lhe diz que tem de respirar, sem parar, sentindo o momento. Observar, como se não fosse o seu corpo, como se não fossem os seus sentimentos nem as suas emoções. Observar os pensamentos que caiem em catadupa, uns atrás dos outros, numa corrida infernal para ver que consegue ganhar o pódio da Raiva, a medalha de ouro do Ódio.
“Respirar. Observar. Respirar. Observar. Respirar. Observar”. Quase como um “mantra”, deixa que as palavras se repitam mecanicamente.
Permanece no escuro, respirando, observando, sentindo. O que começou de forma tão brutal, começa a perder força. E, de algures, surge uma sensação de alívio, de conseguir respirar fundo mais uma vez. Rende-se a este estado.

A mesma luz trémula que vinha do fundo do seu coração dorido, está agora a expandir-se. Ilumina o rancor, derrete o ciúme, desvanece a insegurança. Sente que descobriu a ligação. No meio de todo o caos do ego, encontrou a sua paz. “Aceita. Aceita. Aceita”, diz-lhe essa luz profunda, numa compaixão que nem sabia existir. As lágrimas vão caindo, mas são agora compostas de outra água. E assim fica, num silêncio tão vasto quanto pleno, deixando-se curar de dentro para fora...

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Proposta Mindfulness

Sabemos que o coração não é apenas um órgão que bombeia sangue; na verdade, estudos recentes demonstram que o coração tem o seu próprio cérebro, com células neuronais, que pensam, sentem e respondem. As suas inspirações são sábias e a sua capacidade de fazer brotar o Novo é total...

Durante o dia de hoje,
quando tenhas dúvida em relação a uma decisão que tens de tomar, põe a mão no teu peito e convoca a inteligência do coração. Sintoniza-te com ele e escuta a sua mensagem.


Para sentir...

“O que é que buscamos? É o cumprimento, a realização do que é potencial em cada um de nós.

Ir em busca disso não é uma viagem do ego; é uma aventura para manifestar a tua dádiva ao mundo; que é seres tu própria.

Não há nada que possas fazer que seja mais importante do que essa realização.

Tornas-te um símbolo, um sinal, transparente à transcendência; desta forma irás encontrar, viver e tornares-te uma manifestação do teu próprio mito pessoal.”

Joseph Campbell, “Pathways to Bliss”

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